PSE de sessão x PSE de série
Existem duas versões desse número na musculação. Uma é pedida durante o treino, série por série, baseada em quantas repetições a pessoa acha que ainda teria em reserva antes de falhar — é a versão usada para ajustar a carga na hora, série a série. A outra é pedida uma vez, sobre a sessão inteira, minutos depois de ela terminar. O PulsoGym usa a segunda: uma pergunta, um número de 1 a 10, no fim do treino inteiro, antes de a pessoa sair da tela.
Um número que soa subjetivo, mas acompanha algo real
PSE parece opinião pura — quanto uma sessão pesou depende de sono, humor, o dia que a pessoa teve. Mas os estudos que comparam esse número com marcadores fisiológicos mostram outra coisa. Martorelli e colegas (2020), na European Journal of Sport Science, testaram 12 homens já treinados em musculação em três protocolos de treino diferentes na mesma sessão — potência, hipertrofia e força — medindo a PSE de sessão junto com cortisol, imunoglobulina A salivar, lactato e creatina-quinase no sangue. A sessão de hipertrofia, a de maior volume, teve os valores mais altos em todos os marcadores internos avaliados, e a PSE acompanhou essa hierarquia; a sessão de força teve PSE maior que a de potência mesmo tendo movimentado menos carga total. O número que a pessoa deu de cabeça bateu com o que os marcadores no sangue mostravam.
Por que perguntar da sessão inteira, e não de cada série
A pergunta que interessa para o design do app é outra: dá para pedir esse número uma vez, no fim, sem perder o que se perderia perguntando depois de cada série? Ferreira e colegas (2014), no Journal of Aging Research, testaram exatamente isso: 14 mulheres sem experiência prévia em musculação, em sessões de contração concêntrica, excêntrica e dinâmica, comparando a PSE pedida logo depois de cada série com a PSE de sessão, pedida 30 minutos depois do treino inteiro. Não encontraram diferença significativa entre as duas formas de perguntar. É um estudo isolado, pequeno, numa população específica — mulheres mais velhas e destreinadas — e não prova que o resultado vale para todo tipo de treino ou pessoa. Mas é a pergunta certa, testada por gente que se importou em medir.
Vieira e colegas (2014), na Clinical Physiology and Functional Imaging, também usaram a PSE de sessão, coletada 30 minutos após o treino, em 13 homens jovens já treinados em musculação: quando um grupo fez menos trabalho total (com restrição de fluxo sanguíneo) mas relatou esforço maior que o outro, a PSE de sessão sozinha já mostrava a diferença que olhar só a carga levantada não mostraria.
A alternativa "objetiva" também erra
Existe a tentação de achar que medir esforço "de verdade" significa trocar a pergunta subjetiva por um sensor — por exemplo, estimar quantas repetições ainda restam até a falha pela queda de velocidade da barra, sem perguntar nada a ninguém. Mansfield e colegas (2023), também na European Journal of Sport Science, testaram essa ideia em 20 homens recreacionalmente ativos: mediram a velocidade da barra série a série no supino e no remo curvado, tentando prever repetições restantes a partir da queda de velocidade. No supino a relação foi fraca e inconsistente entre séries (concordância média de 0,40, numa escala de 0 a 1); no remo foi mais forte (0,80), mas ainda variou de forma imprevisível de uma série para a outra. Ao tentar prever, a partir da primeira série, quantas repetições ainda restavam nas séries seguintes, o modelo acertou em cerca de 31% das tentativas — errou quase 7 em cada 10.
Onde isso aparece no app
O PulsoGym não pergunta a PSE série por série — pergunta uma vez, de 1 a 10, quando a sessão termina, e guarda a resposta ao lado de tudo o que foi prescrito e executado naquele dia. É esse número, olhado ao longo de semanas no histórico, que mostra se a mesma carga foi ficando mais leve de sentir — sinal de que o condicionamento está mudando — ou mais pesada mesmo sem mudança na prescrição — sinal de fadiga acumulada que o peso sozinho, na tela, não avisa.