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Conceito

Progressão de carga sem planilha: o que olhar na tela de histórico

27 de agosto de 2026 · leitura de 4 minutos

A tela de Histórico do PulsoGym não guarda peso e repetição série por série — guarda tonelagem e esforço percebido de cada sessão. É pouco perto de uma planilha, mas responde à pergunta que importa: o treino está pesando mais, do jeito certo, ou só parece. Um estudo de 16 semanas com 64 pessoas mostra por que esse número nunca sobe numa linha reta.

A tela de Histórico do PulsoGym não guarda peso e repetição exercício por exercício — guarda o resumo de cada sessão: quanto foi levantado no total (a tonelagem, em kg) e quão difícil aquele dia pareceu (o RPE, de 1 a 10). Parece pouco perto de uma planilha com uma linha por série. É o suficiente, no entanto, para responder à pergunta que interessa quando alguém pergunta "estou progredindo?" — e responde sem exigir nenhuma conta feita à parte, num aplicativo diferente.

Os números que já estão na tela

No calendário mensal, cada dia treinado vira um anel. O arco externo cresce com a tonelagem daquele dia, em relação ao dia mais pesado do mês — quanto maior o arco, mais peso movido na sessão. O anel interno muda de cor com o RPE: verde para esforço leve (1 a 4), laranja para moderado (5 a 7), vermelho para difícil (8 a 10). Abrir um dia mostra os dois números lado a lado, a duração da sessão e, exercício por exercício, quantas séries foram feitas — sem o peso e a repetição de cada uma, que ficam na tela de treino, não na de histórico. No fim do mês, um resumo soma tudo: total de sessões, quilos totais levantados, RPE médio e a sessão de maior volume.

Nenhum desses números, sozinho, diz "você progrediu". Juntos, dizem.

O sinal que interessa: mesma tonelagem com menos esforço, ou mais tonelagem com o mesmo esforço

Progressão de carga aparece quando um desses dois pares se repete ao longo de semanas, numa sessão parecida — mesmo treino, mesmo dia do programa: a tonelagem se mantém e o RPE cai, ou a tonelagem sobe e o RPE se mantém. O primeiro caso é o mesmo trabalho ficando mais fácil; o segundo é o mesmo esforço rendendo mais trabalho. Os dois contam como progressão — só muda o que subiu e o que ficou constante. O que não é sinal de nada, sozinho, é a tonelagem subir: ela também sobe quando alguém acrescenta uma série extra ou troca um exercício por um mais pesado, sem que a capacidade real tenha mudado em nada.

Nem toda semana sobe, e nem todo exercício sobe no mesmo ritmo

Um estudo de Ribeiro e colegas (2014), publicado na European Journal of Sport Science, acompanhou 30 homens e 34 mulheres por 16 semanas, num programa supervisionado de hipertrofia — 3 séries de 8 a 12 repetições, 3 vezes por semana — medindo, semana a semana, o quanto a carga de cada exercício subiu. Dois achados batem direto com o que aparece no resumo mensal do app. Primeiro, o ritmo desacelera: nas duas primeiras semanas do programa, a carga subiu mais de 40% em alguns exercícios; nas duas últimas semanas da mesma fase de 8 semanas, o mesmo tipo de exercício subia por volta de 2% a 3%. Segundo, a velocidade não é igual entre exercícios: leg press e cadeira extensora, multiarticulares de perna, subiram bem mais rápido do que rosca direta e elevação lateral, isolados e com amplitude de carga menor por natureza.

Isso importa para quem olha o total de quilos do mês e vê um número parecido com o do mês anterior. Não é, sozinho, estagnação — pode ser exatamente a curva que o estudo descreve: rápida no começo, mais lenta depois, e mais lenta ainda nos exercícios que já tinham pouca margem para subir.

O que o resumo do mês não separa. A tonelagem total soma todos os exercícios do mês num só número. Se um exercício subiu e outro estagnou, o total pode continuar subindo de leve e esconder os dois movimentos ao mesmo tempo — só a leitura sessão por sessão, exercício por exercício, mostra qual dos dois está de fato acontecendo.

Por que olhar RPE junto com tonelagem, não tonelagem sozinha

RPE é subjetivo: sono ruim, uma semana pesada de trabalho ou fome mudam o número que a mesma sessão física recebe, sem que a carga levantada tenha mudado nada. Por isso ele nunca substitui a tonelagem, nem o contrário — os dois precisam concordar ao longo de semanas, não numa sessão isolada, antes de virar conclusão. Um RPE alto isolado, num dia de sono ruim, não desmente semanas de tonelagem subindo: é ruído de um dia, não tendência.

Onde isso encontra o app

O PulsoGym não abre um gráfico de tendência de carga por exercício na tela de Histórico — hoje, o que existe ali é exatamente esse par, sessão a sessão: tonelagem e RPE, com o resumo do mês por cima dos dois. Não é uma planilha de séries e repetições, e não tenta ser. É o suficiente para responder, olhando três ou quatro semanas de anéis e um resumo mensal, se o treino está pesando mais do jeito que deveria — sem abrir nada fora do app para descobrir.