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Conceito

Periodização do treino: por que nenhum modelo vence a comparação direta

14 de agosto de 2026 · leitura de 7 minutos

Comparar periodização linear com modelos não lineares em quem não compete dá resultado misto — sem vencedor consistente. A literatura mais recente sustenta essa divisão; isso não é uma resposta evasiva, é o que os dados mostram.

Periodização é como a carga muda ao longo das semanas — o que sobe, o que desce, e quando. Existem pelo menos três formas de organizar essa mudança: linear, ondulatória e por blocos. A pergunta óbvia é qual delas rende mais. A resposta, nos estudos mais recentes que comparam modelos diretamente em praticantes que não competem, é: depende do que se mede, e nenhum modelo vence de forma consistente. Isso é diferente de dizer que planejar a carga não importa — é dizer que a escolha entre esses modelos específicos pesa menos do que a divulgação em torno deles sugere.

Três modelos, a mesma variável

Os três organizam a mesma coisa — como a carga muda no tempo. O que muda é a forma da curva.

ModeloComo a carga mudaHorizonte típico
Linear Intensidade sobe e volume desce numa direção só, ao longo de um bloco. Semanas a meses
Ondulatória Carga e volume variam com mais frequência, sem uma direção única no bloco. Dia a dia ou semana a semana
Por blocos Cada fase concentra um objetivo predominante — volume, depois força, depois potência — em sequência. Semanas por bloco

O que a comparação direta mostra

Ghobadi et al. (2022), publicado no European Journal of Sport Science, comparou dois modelos em 24 homens recreacionalmente ativos — 12 num protocolo autorregulado (mais próximo do ondulatório, ajustando carga conforme o desempenho da sessão) e 12 num protocolo linear tradicional, por 8 semanas, 3 vezes por semana, com treino supervisionado. O grupo autorregulado teve ganho maior na força absoluta de leg press (p = 0,04); no supino, o ganho foi parecido entre os grupos (p = 0,08); massa muscular subiu de forma semelhante nos dois. Um modelo levou vantagem numa medida específica, não em todas.

Mahmoud et al. (2022), também no European Journal of Sport Science, comparou periodização linear e não linear flexível em 19 mulheres sedentárias com sobrepeso (10 e 9, mais um grupo controle), por 12 semanas, 3 vezes por semana. Resistência muscular melhorou mais no grupo não linear (p = 0,01), assim como alguns marcadores metabólicos e a capacidade aeróbica. Já gordura corporal, massa muscular e a força no supino (1RM) subiram igual nos dois grupos, sem diferença estatística entre eles.

Nos dois estudos, o modelo não linear leva vantagem numa medida específica — força de perna num, resistência muscular e marcadores metabólicos no outro — mas nenhum dos dois mostra o modelo linear perdendo de forma geral: a maior parte das medidas de força, massa muscular e composição corporal sobe igual nos dois grupos. É isso que "evidência dividida" quer dizer aqui: não é ausência de dado, é dado real que não aponta um vencedor único.

O que não está nesta comparação. Periodização por blocos não apareceu, nesta busca, num estudo que a comparasse diretamente com o modelo linear ou ondulatório em praticantes não competitivos — por isso fica de fora das citações acima. E os dois estudos citados são curtos (8 e 12 semanas) e com amostras pequenas: mostram uma tendência de curto prazo, não um veredito definitivo sobre meses ou anos de treino.

O que muda na prática, se você não compete

Para quem treina sem calendário de competição, escolher entre linear e ondulatória com base em qual "funciona melhor" é apostar numa diferença que os dados disponíveis não sustentam com clareza — a maioria dos desfechos sobe igual nos dois modelos. O que segue tendo peso, com ou sem periodização formal, é o que sempre teve: carga subindo ao longo do tempo, volume registrado o suficiente para saber se subiu de verdade, e um modelo que a pessoa sustenta por meses em vez de abandonar na terceira semana. Entre um modelo "ótimo" no papel e um modelo simples que continua sendo seguido, a evidência atual não dá motivo para escolher o primeiro.

O PulsoGym não empurra um modelo de periodização — ele registra o que foi prescrito e o que foi executado, sessão a sessão, e mostra como carga e volume mudam ao longo do tempo (os componentes da carga ficam ali, prontos para checar). Se um dia você decidir testar ondulatória por seis semanas e comparar com o bloco linear anterior, o histórico já está guardado para isso — qual modelo usar continua sendo uma decisão sua.